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Enfermeira de SP é primeira pessoa a ser vacinada contra covid-19 no Brasil

Enfermeira de SP é primeira pessoa a ser vacinada contra covid-19 no Brasil

Reprodução internet

A primeira dose da vacina contra covid-19 foi aplicada no Brasil após a aprovação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) do uso emergencial da CoronaVac. A enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, moradora de Itaquera, que trabalha há dez meses na linha de frente e com perfil de alto risco para complicações da covid-19, foi a primeira pessoa a ser vacinada. "O senhor não tem noção da minha felicidade", disse Mônica ao governador João Doria, antes de tomar a vacina. "Dez meses de sofrimento." Ela trabalha em turnos de 12 horas, em dias alternados, na UTI do Emílio Ribas, hospital de referência para casos graves da doença. O setor tem 60 leitos exclusivos para o atendimento a pacientes com coronavírus, com taxa de ocupação média de 90%. “Não é apenas uma vacina. É o recomeço de uma vida que pode ser justa, sem preconceitos e com garantia de que todos nós teremos as mesmas condições de viver dignamente, com saúde e bem-estar”, afirmou a enfermeira. Quando começaram os testes clínicos da vacina Coronavac pelo Instituto Butantã, ela também se voluntariou para os testes. No começo deste ano, ela contou em reportagem ao site do Coren (Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo) que já tinha tomado duas doses e não teve nenhum tipo de reação. “Sou monitorada periodicamente. Além disso, há um canal do WhatsApp pelo qual entram em contato semanal comigo”, explicou. Como ela foi escolhida agora para tomar a vacina, pode-se imaginar que ela tinha tomado placebo. Aplicação Quem aplicou a primeira vacina também é mulher e enfermeira. Jéssica Pires de Camargo, 30, atua na Coordenadoria de Controle de Doenças e mestre em Saúde Coletiva pela Santa Casa de São Paulo. Com histórico de atuação em clínicas de vacinação e unidades de Vigilância em Saúde, Jéssica já aplicou milhares de doses em campanhas do SUS contra febre amarela, gripe, sarampo e outras doenças. “Não esperava ser a pessoa a aplicar esta primeira dose. Isto me enche de orgulho e esperança de que mais pessoas sejam protegidas da covid-19 e que outros colegas de profissão possam sentir a mesma satisfação que sinto ao fazer parte disso", afirmou. Primeira indígena Logo após a primeira dose ter sido aplicada, foi a vez da primeira indígena ser imunizada contra a covid-19. Vanuzia Costa Santos, de 50 anos, é moradora da aldeia multiétnica Filhos dessa Terra, localizada no bairro Cabuçu Guarulhos. Santos atua como técnica de enfermagem e assistente social, e é também presidente do Conselho do Povo Kaimbé, originário do Nordeste. Ela veio para o estado de São Paulo em 1988. "Fiquei muito feliz de participar deste momento. Sou defensora da vida, de outras vacinas, da prevenção, saúde. Devemos valorizar a educação, a ciência, e isso pode ser conciliado mantendo uma crença, com as rezes e aa medicina tradicional do meu povo", afirma. Vanuzia orienta as comunidades sobre a suscetibilidade aos vírus, relembrando sua experiência como técnica de enfermagem na Casa do Índio, onde trabalhou por dez anos.

Redação