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Para Joaquim Levy, inflação cai dos atuais 10% ao ano para 4% em 2022.
Ex-ministro diz há condições favoráveis para a queda dos preços nos próximos meses, destaca a importância da percepção sobre funcionamento das instituições e diz que o governo não precisa mudar o Imposto de Renda para reforçar o Bolsa Família O Banco Safra acredita na convergência da inflação para 4% ao ano em 2022, apesar do nível atual de quase 10% do IPCA, segundo Joaquim Levy, diretor de Estratégia Econômica e Relações com Mercados da instituição. Levy afirma que o Banco Central deu uma sinalização clara de que está olhando para além das altas de preços recentes. A maior parte da inflação atual, segundo Levy, veio dos combustíveis, eletricidade e commodities agrícolas. O preço do petróleo se estabilizou depois de saltar de US﹩ 40 para mais de US﹩70 o barril, a crise da eletricidade está no auge e as commodities agrícolas deram uma pausa, explica ele. "Se esses preços se mantiverem em níveis altos, mas não subirem mais, a inflação vai cair, ficando em torno de 4% em 2022 com uma Selic próxima de 8% no final de 2021, ou até um pouquinho abaixo", projeta o ex-ministro da Fazenda. O que poderia mudar o cenário, segundo ele, é a desvalorização do câmbio, mas raramente a economia mundial foi tão favorável ao Brasil. Para Levy, o mercado reagiu favoravelmente à carta divulgada pelo presidente da República nos dias seguintes aos atos políticos do dia 7 de setembro e após a visita a Brasília do ex-presidente Temer. Sobre as mudanças no Imposto de Renda, Levy afirma que elas não são tecnicamente necessárias para se aumentar o valor do Bolsa Família em até 25%. "O Bolsa Família é uma despesa decidida ano a ano, podendo aumentar sem restrições por parte da Lei de Responsabilidade Fiscal, quando a receita está forte. Então, não precisa trocar o IRPJ por dividendo para tentar atender a Lei de Responsabilidade Fiscal, talvez mesmo que o governo queira modificar o programa", afirma. "Reforçar o Bolsa Família poderia esbarrar no teto do gasto, mas aí depende do apetite para cortar outras despesas", afirma. Nesse sentido, ele acredita que seria possível acomodar essa despesa adicional, assim como o pagamento de precatórios, sem quebrar o teto, se os precatórios associados ao Fundef fossem tratados como as despesas do Fundeb. Ambos os fundos complementam os recursos destinados pelos Estados ao desenvolvimento da educação fundamental ou básica. Para Levy, o avanço da vacinação foi fundamental para o crescimento do PIB em 2021, e a estagnação do consumo no primeiro semestre desse ano teve a ver com a inflação, que erodiu o poder de compra da população, enquanto ajudava o governo a arrecadar mais. "A inflação e esse salto na arrecadação que alguns estão achando que é estrutural têm algo de transitório. O PIB do segundo semestre não vai vir muito forte e o crescimento deve entre 1% e 1,5% em 2022", comenta. Ele destaca que a acomodação da economia é visível no índice de atividade proprietário que o Banco Safra criou a partir do Safrapay, o serviço de máquinas de cartão de crédito do Safra, mas que mantém uma perspectiva construtiva sobre muitos dos fundamentos da economia. "No Safra, queremos ver a economia crescer, porque o Brasil continua sendo um lugar extraordinário. Com novas tecnologias, estamos podendo oferecer crédito para novos grupos de pessoas e empresários todos os dias, e opções de investimento mais sofisticadas, que não estavam no radar de ninguém há cinco anos", comenta o economista. Segundo Levy, quando há tranquilidade e confiança na democracia, sem risco político, o apetite por investimento aumenta e o real tende a se valorizar. "Para que isso aconteça é preciso que haja clima de harmonia política e vontade de enfrentar os reais problemas do país, sem diversionismos", comenta Levy. "Dá para chegar lá, mesmo que o juro americano comece a subir", acrescenta ele.
Fonte: Assessoria de Imprensa