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Índice Global de Sistemas Previdenciários pede reforma dos sistemas de pensões para eliminar a diferença de gênero na renda de aposentadoria
O sistema de renda de aposentadoria da Islândia foi eleito o melhor do mundo em sua estreia no 13º Índice Global de Sistemas Previdenciários anual da Mercer e do CFA Institute (Mercer CFA Institute Global Pension Index - MCGPI). Os Países Baixos e a Dinamarca conquistaram o segundo e o terceiro lugares, respectivamente, após uma década de disputa pela primeira posição. O estudo também revela que há muito que os sistemas de pensões podem fazer para reduzir a desigualdade de gênero das aposentadorias - uma questão inerente a todos os sistemas. O MCGPI é um estudo abrangente dos sistemas globais de pensões, representando dois terços (65 por cento) da população mundial. Ele avalia os sistemas de renda de aposentadoria em todo o mundo, destacando algumas deficiências em cada sistema e sugerindo possíveis áreas de reforma que proporcionariam benefícios de aposentadoria mais adequados e sustentáveis. Os três principais sistemas, todos recebendo nota A, eram sistemas sustentáveis e bem administrados, proporcionando grandes benefícios aos indivíduos. Presidente e CEO do CFA Institute, Margaret Franklin, CFA, disse que era mais importante do que nunca entender como os benefícios da aposentadoria poderiam ser melhorados. "A pandemia exacerbou a desigualdade socioeconômica em muitas partes do mundo. E, de uma perspectiva de investimento de longo prazo, estamos operando em um ambiente extremamente desafiador, com taxas de juros historicamente baixas e, em alguns casos, rendimentos negativos que afetam claramente os retornos", comentou Franklin. "Para agravar a questão, a diferença de gênero nas pensões apresenta desafios adicionais e urgentes, com as mulheres enfrentando seus anos de aposentadoria com menos benefícios. Com essas preocupações em mente, a promessa de uma aposentadoria segura depende de formuladores de políticas e partes interessadas da indústria tomando medidas coletivas para examinar os pontos fortes e fracos dos sistemas de pensões, com o objetivo de oferecer melhores benefícios de aposentadoria a todos os indivíduos", disse ela. O sócio sênior da Mercer e principal autor do estudo, Dr. David Knox, concordou com a Sra. Franklin, dizendo que era fundamental que os participantes do setor de pensões agissem agora. "Os governos em todo o mundo responderam à COVID-19 com níveis significativos de estímulo econômico, o que aumentou a dívida do governo, reduzindo a oportunidade futura de os governos apoiarem sua população idosa. Os planos de aposentadoria em todo o mundo estão se inclinando ainda mais para os planos do estilo de acumulação, longe dos tradicionais planos de benefício definido. Apesar dos desafios, agora não é o momento de travar a reforma da previdência - na verdade, é hora de acelerá-la. Os indivíduos estão tendo que assumir cada vez mais responsabilidade por sua própria renda de aposentadoria e precisam de forte regulamentação e governança para serem apoiados e protegidos", disse o Dr. Knox. Diferenças de gênero nos resultados das pensões A análise do MCGPI destacou que não havia uma causa única para a diferença de gênero nas pensões, apesar de todas as regiões terem diferenças significativas no nível de renda de aposentadoria entre os gêneros . "As causas da disparidade de gênero nas pensões são mistas e variadas. Todos os países e regiões têm questões socioculturais, de desenho de pensão e relacionadas ao emprego contribuindo para que as mulheres sejam muito mais desfavorecidas do que os homens no que diz respeito à renda de aposentadoria", disse o Dr. Knox. Embora os problemas relacionados ao emprego sejam uma das maiores dificuldades que conhecemos- mais mulheres em empregos de meio período e períodos fora do habitual devido a responsabilidades de cuidados e salários médios mais baixos, por exemplo - o estudo descobriu que as falhas no desenho de pensões agravavam o problema. Isso inclui acúmulo não obrigatório de benefícios de pensão durante a licença parental, ausência de contribuição ao fundo de pensão enquanto cuidam de filhos pequenos ou pais idosos na maioria dos sistemas e a falta de indexação de pensões durante a aposentadoria, que têm um impacto maior nas mulheres devido a uma expectativa de vida mais longa. "Sabemos que eliminar a desigualdade de gênero nas aposentadorias é um enorme desafio, dada a estreita ligação da previdência com os padrões de emprego e renda. Mas, com a pobreza entre os idosos, mais comum para as mulheres, não podemos ficar parados", disse o Dr. Knox. "Há uma série de ações que as indústrias de previdência podem tomar. Para começar, devem remover as restrições de elegibilidade para indivíduos ingressarem em planos de pensão relacionados ao emprego. Independentemente de quanto se ganha, quanto trabalha ou há quanto tempo está trabalhando, todo indivíduo deve ter a capacidade de participar de um plano de aposentadoria que forneça benefícios adequados. "Os fundos de pensão também podem introduzir créditos para quem cuida de jovens e idosos. Os cuidadores prestam um serviço valioso à comunidade e não devem ser penalizados em seus anos de aposentadoria por ficarem algum tempo fora da força de trabalho formal", disse ele . Pelos números A Islândia teve o valor de índice geral mais alto (84,2), seguida de perto pelos Países Baixos (83,5). A Tailândia teve o valor de índice mais baixo (40,6). O Índice usa a média ponderada dos subíndices de adequação, sustentabilidade e integridade. Para cada subíndice, os sistemas com os valores mais elevados foram Islândia para adequação (82,7) e sustentabilidade (84,6) e Finlândia para integridade (93,1). Os sistemas com os valores mais baixos entre os subíndices foram Índia para adequação (33,5), Itália para sustentabilidade (21,3) e Filipinas para integridade (35,0). Em comparação com 2020, a China e o Reino Unido mostraram melhorias como resultado de uma reforma previdenciária significativa, que melhorou os resultados para os indivíduos e a regulamentação previdenciária . Brasil Com a entrada de novos países no ranking, neste ano o Brasil caiu quatro posições em relação a 2020, tendo ficado na 30ª colocação com 54,7 pontos, praticamente a mesma pontuação atingida em 2020 (54,5 pontos). Para Felipe Bruno, líder de Previdência da Mercer Brasil, a manutenção de uma posição localizada próxima às ultimas posições do ranking está relacionada à manutenção de uma nota baixa no subíndice sustentabilidade: "A reforma previdenciária aprovada em 2019 ainda não produziu os efeitos esperados, o que mantém o sistema brasileiro dentre os mais desequilibrados do mundo. O quesito sustentabilidade continua a ser a maior deficiência, situação esta agravada de 2020 para cá com a pandemia e os efeitos da alta inflação, que impulsionaram o desemprego e a queda no nível de financiamento global da previdência. Felipe ainda completa: "O governo e os demais atores locais têm um grande desafio pela frente para colocar o Brasil no caminho de ser um sistema mais equilibrado e abrangente, que possa ajudar o país a equacionar seus desafios de longo prazo". Sobre o Índice Global de Sistemas Previdenciários da Mercer e do CFA Institute O Índice Global de Sistemas Previdenciários avalia os sistemas de renda de aposentadoria em todo o mundo, destacando algumas deficiências em cada sistema e sugerindo possíveis áreas de reforma que proporcionariam benefícios de aposentadoria mais adequados e sustentáveis. Esse índice é um projeto de pesquisa colaborativa patrocinado pelo CFA Institute , a associação global de profissionais de investimento, em colaboração com o Monash Centre for Financial Studies (MCFS) , parte da Monash Business School da Monash University, e a Mercer, líder global em redefinir o mundo do trabalho e remodelar os resultados de aposentadoria e investimentos. Este ano, o Índice Global de Sistemas Previdenciários compara 43 sistemas de renda de aposentadoria em todo o mundo e cobre dois terços (65 por cento) da população mundial. O Índice de 2021 inclui quatro novos sistemas - Islândia, Taiwan, Emirados Árabes Unidos e Uruguai. O Índice Global de Sistemas Previdenciários usa a média ponderada dos subíndices de adequação, sustentabilidade e integridade para mensurar cada sistema de aposentadoria em relação a mais de 50 indicadores.