Credítos: Halima Aden (Foto: Instagram)
Mundo fashion muçulmano busca conforto e sustentabilidade
A moda islâmica está se modernizando para acompanhar as preferências de um consumidor jovem, conectado, que compra pelas redes sociais e está cada vez mais preocupado com a origem sustentável das peças que consome. Essa foi a mensagem central de um painel de especialistas reunidos no Global Halal Brazil Business Forum, realizado em São Paulo pela Câmara de Comércio Árab-Brasileira e pela certificadora Fambras Halal. "Notamos também que estes consumidores apreciam conforto e beleza, preferindo empresas ecologicamente corretas, que reciclam embalagens, não poluem, não praticam crueldade animal", enfatizou Ana Carolina Grings, vice-presidente da Piccadilly, que contou sua experiência de vender calçados em países árabes no evento. "Se antigamente vendíamos mais saltos altos, a pandemia também modificou os hábitos desse público, priorizando conforto, consumindo mais pares de tênis, por exemplo", acrescentou Grings. A executiva conta que o fato de a Piccadilly ser até hoje uma empresa familiar criou uma impressão positiva já nos primeiros contatos realizados no mundo árabe no fim da década de 1970. Hoje a empresa exporta 35% da produção diária de 35 mil pares de calçados, com os países árabes absorvendo 15% dos pares direcionados ao mercado externo. A marca também já conta com 27 lojas próprias no exterior, das quais 12 estão no Kuwait e outras três na Arábia Saudita. "E vamos abrir mais duas lojas no Catar em 2022, por ocasião da Copa do Mundo", anunciou orgulhosa a executiva. A decisão de investir se justifica pelo potencial que o Brasil tem para avançar no mercado islâmico de moda. Dados da consultoria Intracem e do Ministério da Economia compilados pela Câmara Árabe mostram que, em 2020, os países da Organização para Cooperação Islâmica, entre os quais se incluem os árabes, compraram um total de US﹩ 40,6 bilhões em jóias, calçados, peças de vestuário, com o Brasil fornecendo apenas U﹩ 34,2 milhões desses itens. Isso mesmo, milhões. No segmento de cosméticos, num total de importações de U﹩ 14,2 bilhões, a participação brasileira foi de apenas US﹩ 21,6 milhões. Uma das razões que explicam a baixa participação é a oferta limitada de produtos com certificação halal, de produção conforme com as tradições muçulmanas, sobretudo cosméticos. A certificação atesta, por exemplo, que esses produtos não contém substâncias vedadas pela religião islâmica, como o álcool e derivados suínos. "Eles [consumidores muçulmanos] têm um ótimo poder aquisitivo, porém estão em busca de produtos alinhados à fé deles, o que demanda uma clareza do que se está consumindo. É isso, eles querem ter a certeza de que estão gastando o dinheiro com empresas justas, éticas, sustentáveis e alinhadas às suas crenças", destacou Datin Yu-Chi, diretora da consultoria Mihas 2021. Num mercado em que a modéstia ainda é um traço cultural e religioso relevante, vender moda requer sutileza. Em países onde a maioria das mulheres ainda cobre o corpo totalmente, em muitos casos deixando apenas os olhos à mostra, a maquiagem e os acessórios passam a ter função importante para ganhar destaque e expressar a individualidade. No entanto, os produtos disponíveis nesses países estão se diversificando. Os esforços dos países árabes para abrir suas economias, atrair turistas não-muçulmanos e as transformações culturais da primavera árabe na década passada têm feito com que muitas jovens já se permitam utilizar uma maior variedade de cores, estampas e cortes, ainda que expressas apenas nos detalhes das peças. "Grande parte das mulheres ainda cobre o cabelo, as orelhas e o pescoço, deixando o rosto e o corpo de fora com o hijab [véu islâmico que cobre a cabeça], apostando nos detalhes, num olhar marcado, em bolsas e acessórios poderosos", observa Vincenzo Visciglia, diretor criativo da marca de luxo AVVA Fashion. "Os looks já não precisam ser monocromáticos. Muitas culturas já admitem tecidos coloridos, estampas e até logos".
Fonte: Por Assessoria de Imprensa