Credítos: Shein
Gigante chinesa de fast fashion vai aumentar sua presença no país.
A Shein, empresa chinesa que é uma das maiores varejistas de moda do mundo, está estudando produzir suas roupas por meio de parceiros no Brasil, onde tem uma presença ainda tímida, mas em crescimento acelerado. Embora possa ser um nome desconhecido para muitos, a Shein é um sucesso entre os consumidores mais jovens. Segundo um relatório do BTG Pactual, a gigante chinesa já fatura mais de R$ 2 bilhões no mercado brasileiro, somente com vendas pela Internet. De acordo com o Neofeed, o fundador da Shein, Chris Xu, se encontrou com alguns dos principais fornecedores de roupas de varejo no Brasil no final de 2021. A Shein já assinou contratos de confidencialidade com dois fornecedores e avalia se faz sentido produzir suas peças no país, o que permitiria escalar a operação local, para a qual também estão sendo contrados mais funcionários. A empresa conta hoje com um site em português e traz suas peças da China ao Brasil, armazenando-as em um centro de distribuição no país, para reduzir o prazo de entrega. Com a produção local, o prazo de entrega das peças, hoje em 30 dias, poderia diminuir muito. Encurtar o tempo de produção é fundamental no modelo de negócio da empresa, baseado em lançamentos contínuos de novas coleções a preços baixos. A varejista vem focando em grandes campanhas no país. Ela oferece frete grátis para compras acima de R$ 49, têm cupons de desconto que podem chegar a R$ 80, possui métodos de pagamento adaptados ao mercado brasileiro (como Pix e boletos) e conta com devolução gratuita caso o consumidor não goste da peça. Além disso, o uso do TikTok ajudou a aumentar o crescimento da fast fashion no país. Com hashtags que chegam a mais de 100 milhões de visualizações, a empresa ficou famosa com vídeos de pessoas mostrando a expectativa vs. realidade das compras, divulgação de cupons de desconto e avaliando as peças da marca. Uma escalada da Shein pode ser um sério problema para as grandes empresas brasileiras de fast fashion, como a Lojas Renner. A Shein já está de certa forma superando os concorrentes locais, pelo menos em presença digital. No Brasil, o aplicativo teve 23,8 milhões de downloads no ano passado, com desempenho três vezes maior que a Lojas Renner, sendo o mais baixado no setor de moda, segundo o relatório do Goldman Sachs, com base em dados da consultoria Sensor Tower. Fundada em 2008, a Shein começou a ganhar fama a partir de 2015, quando conquistou um público mais jovem, de 12 a 27 anos. Em 2021, a Shein vendeu cerca de US$ 16 bilhões em roupas globalmente e ultrapassou a Amazon como o aplicativo de compras mais popular dos Estados Unidos. A empresa tem planos de abrir um IPO nos Estados Unidos, de acordo com a Reuters, com o objetivo de buscar uma avaliação de US$ 100 bilhões. Para fazer isso, a Shein precisa ser mais transparente em como produz suas peças. No "Índice de transparência da moda de 2021", da Fashion Revolution, a empresa atingiu a marca de 1%, em um total de 100%. Com esse número, ela esteve entre as 21 empresas mais mal avaliadas entre 250 companhias. Além de denúncias de trabalho análogo a escravidão, a Shein também possui acusações de produzir peças que são cópias de diversas marcas, o que é um cenário conhecido para várias fast fashions do mundo.
Fonte: Mariana Murara Jornalista no Baguete Diário