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Desafios para o 5G no Brasil e a guerra Estados Unidos e China

Desafios para o 5G no Brasil e a guerra Estados Unidos e China

Julian Alexienco Portillo

A chegada do 5G exigirá preparação, reestruturação e modernização da infraestrutura das redes das operadoras móveis. Essa mudança trará um grande salto de conectividade, alcançando velocidades de até 10 Gpbs e suportando quase 100 vezes mais dispositivos se comparado ao 4G. Os investimentos das operadoras passarão por uma revisão total de sua arquitetura e topologia de rede, além da alocação de espectro automático e inteligente para que as redes 5G funcionem da forma que se espera para alcançar altas velocidades de navegação e aplicações na internet. Adicionalmente, as operadoras terão que participar e adquirir as licenças que serão leiloadas pela Anatel, previstas atualmente para 2021 afim de permitir a implementação e operação da nova tecnologia Com o olhar nesse investimento pelo qual as operadoras terão que passar, estão os fabricantes de equipamentos e sistemas, que por sua vez, produzem e detém o desenvolvimento tecnológico para o 5G. Atualmente, existem três fabricantes no mundo que possuem a tecnologia, inclusive, em funcionamento em alguns países. Um deles é a empresa chinesa Huawei, que possui redes 5G funcionando na China e apontada como a que mais inovação tecnológica possui. Existem também a Sueca Ericsson, pioneira no lançamento do 5G na Europa com presença forte no Japão, Austrália e Estados Unidos. A Finlandesa Nokia, que assim com a Ericsson, possui a tecnologia e equipamentos para atendimento as redes 5G. O holofote sobre o Brasil sobre o 5G está intenso, para estes fabricantes de tecnologia e produtos, a grande visibilidade que nosso mercado representa é significativo. A disputa por esse mercado, aliado a uma "guerra" política sobre o tema, levantado pelo Governo americano, traz o mundo a uma discussão sobre qual seria o interesse da China em liderar o mercado do 5G mundialmente O presidente dos Estados Unidos Donald Trump, deixou claro que em território americano, a chinesa Huawei, não entra. Essa mesma pressão ocorre com todos os demais países que possuem relação com os americanos. O governo britânico já anunciou que equipamentos da empresa Huawei, muitos já em uso pelas operadoras, será substituído gradativamente até a sua total extinção. Isso demonstra que as palavras do presidente americano foram incisivas. No Brasil, esta pressão em torno do uso ou não da tecnologia da empresa Huawei, está sendo debatida. Pensando do ponto de vista tecnológico e não político, a Huawei tem produtos com preços atrativos, e as operadoras brasileiras já utilizam suas soluções há bastante tempo. Por outro lado, essa pressão na Europa, onde estão as sedes de empresas, como a Vivo (Espanhola) e TIM (Italiana), presentes no Brasil, está surtindo efeito. A probabilidade de as matrizes forçarem suas subsidiarias a tomarem partido a favor das empresas Ericsson e Nokia, é bastante grande. Não se pode afirmar se, em relação aos preços, o 5G dos países nórdicos é competitivo perante o chinês, mas, por outro lado, discursos defendem que a pandemia do covid-19 foi propositadamente causada para que a China se favorecesse no momento de recuperação dos demais países. Não podermos afirmar isso, o fato é que, para se manter a competividade na implementação do 5G no Brasil, todos os fabricantes deveriam participar e oferecer seu melhor preço e produto. Entretanto, forças políticas, econômicas e aquelas que podem vir através de retaliações ou, fechamento das relações do Brasil com os Estados Unidos, podem prejudicar a chegada da nova tecnologia tão esperada pelos brasileiros. Outro aspecto importante, é que o 5G virá em um momento crucial para o Brasil e sua recuperação econômica para se reerguer após um ano de 2020 marcado pela pandemia. Teremos que esperar para saber isso se refletirá ao longo dos próximos meses. Texto de Julian Alexienco Portillo. Engenheiro de telecomunicações, mestrando em Economia e Mercados da Universidade Presbiteriana Mackenzie e bolsista de pesquisa do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica.

Julian Alexienco Portillo / Universidade Presbiteriana Mackenzie